O nosso MBA de Marketing Digital tem como proposta trazer a realidade do mercado para o dia a dia dos alunos, por isso, pedimos a um dos nossos coordenadores, Felipe Morais, também professor da disciplina Planejamento Estratégico Digital e da disciplina Estratégias de E-commerce que conte uma história sobre a realidade das agências e ele acabou passando algo que presenciou em Julho desse ano, onde a falta de comprometimento pode prejudicar uma agência.

Em Julho eu montei a FM Planejamento, a minha consultoria de planejamento. O foco é atender agências, e uma delas me chamou para uma concorrência. Como sabem, concorrência funciona daquela forma, o brief entra na 5a e a apresentação é na 2a. Se é certo ou não, outra discussão, mas quase sempre ocorre assim, e dessa vez não foi diferente. Uma agência pequena, com 7 funcionários, sendo 2 desses os sócios, estava diante a uma concorrência que poderia render, de fee, pouco menos do que a agência fatura mensalmente, ou seja, apenas um cliente poderia dobrar o faturamento da agência. Dedicação deveria ser total. Mas não foi bem assim.

Um dos sócios me chamou na 6ª às 9h para uma reunião de brief com a equipe. Fizemos. Por eu ter outros compromissos e a agência precisar entregar relatórios para 2 clientes, optamos por fazer uma reunião no sábado das 9h as 14h. Desde o começo, os sócios disseram que as 14h precisavam ir embora, pois tinham um compromisso familiar no interior e não poderiam faltar. Conseguiram também que o projeto pudesse ser enviado as 18h da 2ª e não às 10h como estava previsto no documento de concorrência recebido na 5ª feira. Todos entenderam como seria a dinâmica do processo. Eu seria copiado em tudo e na 2ª pela manhã deveríamos ter o projeto em mãos para possíveis alterações.

No sábado, os sócios estavam na empresa as 8h50. Eu cheguei 8h55 e os funcionários? Entre 10h e 10h30. Isso deveria ter sido visto como um sinal, mas não foi. Claro que aproveitamos para ir trabalhando enquanto os funcionários chegavam. A agência é nova, composta por jovens, uma geração, que infelizmente está sendo marcada pela falta de comprometimento. Infelizmente. Digo isso de carteirinha, pois presencio isso em outras agências e também em sala de aula.

Minha parte era dar todas as orientações do processo. Passei pesquisas, referências e discutimos ideias. Levei 3 livros para embasar ações e estudos. Um dos sócios conhecia bem o cliente, passou insights. O outro atuou por alguns anos em uma agência que tinha um concorrente, conhecia bem o mercado. Montei, junto com os sócios, o roteiro da apresentação. Passo a passo, no nível de colocar no slide ponto a serem preenchidos. Quase uma prova de colegial. Para evitar ao máximo os erros. Ficou para a dupla de criação fazer um layout “matador” do Power Point e o redator colocar as informações no material, com revisão e um texto publicitário, mesmo com uma enorme quantidade de informação, necessária. Não foi pedida criação de peças, apenas estratégia, tática e investimento.

Também, foi acertado que o material ia ter muito texto, pois ele seria enviado para o gerente, que ia apresentar a diretoria, para uma triagem interna. Eram 5 agências na concorrência e apenas as 2 melhores teriam seus materiais enviados ao presidente, sendo que após ele aprovar, seria marcada uma apresentação da 30 minutos da agência para esse presidente, mas ai, um material mais visual. Essa era a regra do jogo. Bem clara, por sinal.

No sábado, ficou acertado o trabalho da dupla de criação. O gerente de projetos ia colocar tudo em ordem, organizar as entregas e revisar erros. O atendimento não entraria nesse momento no projeto, mas ficou acertado da pessoa ajudar na construção do material, aliás, na frente dos sócios, foi a primeira a se dispor a isso. O gestor de social media ficou de montar a estratégia nos canais sociais do cliente. Até às 14h tudo funcionou perfeitamente. As 14h os sócios foram embora. Acabei indo também, pois a reunião da manhã foi tão produtiva, já colocando a mão na massa, que acreditou-se que tudo estava OK, era apenas execução do que foi definido. Mas não foi assim.

No domingo de noite, estranhei. Não tinha nenhum material no meu email e nem um email da equipe. Nada. Mandei um email cobrando. Nada. Os sócios fizeram o mesmo. Nada. Acreditamos que o pessoal não tinha tido tempo de finalizar no sábado e que faria na 2ª. Os sócios ligaram para o gerente de projetos, esse não atendeu e depois mandou uma mensagem que não poderia atender naquele momento. Para mim, o cara não queria detonar a equipe naquele momento, mas ai é uma impressão minha.

Como todas as 2as, os sócios não iam para a agência, pois tinham uma reunião de alinhamento com o principal cliente da agência das 8h às 13h. Era padrão, aliás, é padrão da agência desde Fevereiro de 2013, quando conquistaram esse importante cliente. Os sócios chegaram às 15h na agência. Já tinham uma reunião com um prospect e por isso, acabaram não se atentando do que estava acontecendo. Eu mandei email às 16h. Estava estranho não ter recebido nada, mas sabemos como é agência, deixa tudo para a última hora. Mandei whatsapp aos sócios. Ambos me responderam que estavam na agência e tinham visto o pessoal mexendo no PPT. Fiquei tranquilo com isso. Os sócios também, pois da sala de reunião podiam ver a dupla de criação trabalhando no PPT.

Por volta das 17h30 a bomba. Meu celular apita com a mensagem de um dos sócios “Felipe, não vamos mais participar da concorrência. Te explico depois” . Me estranhou muito. No dia seguinte, o meu pagamento estava na minha conta. Liguei para questionar, disse que eu não queria receber pois não iam participar e me contaram o que havia acontecido:

No sábado, às 14h, todos decidiram ir almoçar. Mas não foram comer algo rápido, ou passar no McDonalds que fica na esquina da agência, uma casa bem legal por sinal. Foram comer uma feijoada. Acabaram saindo da mesa às 18h, após beberem cerveja e caipirinha. Decidiram então voltar no domingo pela manhã. Marcaram às 10h. A dupla de criação, emendou a “balada”, saiu do restaurante, foi para um bar e depois para outro bar, começaram a beber as 14h e não pararam mais. Resultado disso: nenhum dos dois acordou no dia seguinte. Desligaram o celular, entraram em contato no final do dia com o gerente de projetos, que nem os atendeu. Ele, por outro lado, estava as 10h na agência conforme comprovou com fotos (ele era o único com chave). Esperou até às 11h, novamente com fotos, e foi embora. Mandou foto para todos por email. Comprovou. Os sócios, sem acesso a internet, não viram esse email da manhã.O atendimento, às 14h, mandou um email dizendo que estava com dor de cabeça e não poderia ir e o social media apareceu apenas na 2ª, sem a menor preocupação com o que estava acontecendo.

Na 2ª, todos chegaram por volta das 10h, como sempre, e ao invés de colocar as coisas em ordem, discutiram por horas e depois resolveram mudar tudo, pois o social media não estava satisfeito com a forma que montamos o projeto, uma vez que ele achava um absurdo ter tanto texto no material. Foi explicado algumas vezes o motivo pelo qual foi feito isso. Fica a pergunta, como um recém formado de 22 anos decide ir contra experientes profissionais com mais de 15 anos de mercado sem ao menos conversar, apenas decidir que o mundo estava errado e apenas ele o certo, aliás, até o cliente estava errado, pois o pedido de detalhamento nas defesas estava no documento do brief. Acho válido questionar, mas questione com embasamento e não com achismos sem menor nexo.

As 17h30, os sócios receberam um PPT com tanto copiar e colar, que até um texto meu onde eu colocava em vermelho uma mensagem pedindo para incluir uma imagem (de acordo com o texto) foi colocada no PPT, ou seja, nem revisaram o texto, pois não se atentaram que um texto de cor preta, tinha uma observação em vermelho. Fizeram correndo pois tinha que mandar até as 18h. Os sócios pegaram o material, acharam um absurdo e ligaram para o cliente, pediram para mandar na 3ª, mas o cliente não poderia, pois na 3ª seria a reunião onde ele, gerente, apresentaria todos os PPTs aos diretores. O jeito foi pedir desculpas por não poder participar da concorrência por não estar satisfeito com o material criado pela agência.

Os sócios ouviram um pequeno sermão, pois esse gerente era novo na empresa e já havia trabalhado com a agência no seu antigo emprego, adorava o trabalho e os sócios. Ele tinha 15 dias de empresa e tinha falado muito bem da agência, aliás, ele que conseguiu com muito custo colocar a agência na concorrência que já havia sido iniciada pelo antigo gerente do cliente, que saiu no meio da concorrência para assumir uma outra área dentro da empresa, mas em outra cidade. Ou seja, ele também poderia se queimar diante a diretoria por ter falado tanto de uma agência que mal apresentou alguma coisa. E de fato, na 4ª, pós reunião de apresentação, ele ligou para os sócios e contou que um dos diretores apenas disse a ele: “Pois é amigo, você começou bem no cargo…” para bom entendedor, meia palavra basta.

Conclusão disso: Na mesma semana, a dupla de criação foi mandada embora, sendo substituída por uma dupla, um casal, que fazia alguns frelas para a agência. Um dos sócios decidiu assumir o atendimento e deixar o outro em novos negócios e operação, com isso, a menina foi demitida. O social media foi demitido, aliás, acabei indicando uma pessoa que mesmo morando longe de São Paulo em 1 semana fez mais do que o antigo em meses de agência. O gerente de projeto foi mantido, pois se mostrou totalmente comprometido com a empresa.

Alguns que vão ler esse artigo poderão pensar que os sócios estão errados tanto quanto os funcionários, pois eles deveriam se preocupar mais com a entrega, ficar mais em cima, mas ai vem a pergunta: cadê a confiança? Quando se pede algo para seus funcionários, acredita-se que eles farão, ou por que uma agência precisa de pessoas? Na 6ª algumas coisas foram feitas (pesquisas e análise de concorrência). No sábado, muita coisa foi feita e validada. Era dar continuidade. Era domingo receber o material, aprovar e mandar para o cliente. Mandar na 2ª as 9h, ganhar moral pois havia pedido as 18h. Não foi feito. Hoje, tem 4 pessoas na rua porque simplesmente não são comprometidas. E vejo isso em sala de aula diariamente, infelizmente. Alunos que não fazem trabalho, que não cumprem prazo, que reclamam porque o professor chegou 10 minutos atrasados, mas ele mesmo, não sai do celular, chega quase sempre 1h atrasado e não se dedica, mas como eu sempre digo, e esse relato foi a prova disso: O MERCADO PUNE

Felipe Morais (@plannerfelipe) é coordenador do MBA de Marketing Digital e do MBA de Gestão Estratégica de Ecommerce. Passou por empresas como NeogamaBBH, Ponto Frio, TV1.com, Tesla e Gotcha onde atendeu clientes como Pirelli, Coca-Cola, Bradesco e Chevrolet. Atualmente é diretor da sua consultoria FM Planejamento, professor de MBA, Palestrante e autor do livro Planejamento Estratégico Digital (Ed. Brasport)

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Sobre Felipe Morais

Especialista em planejamento estratégico digital
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